17 de julho de 2011

À Procura do Sol

A ilha acordou hoje triste, cinzenta. Uma chuva miudinha quase fazia esquecer que estamos no Verão. Ao longe, debruçada sobre o casario branco, a montanha da Lagoa do Fogo ostentava, desdenhosa, um fino véu prateado que lhe ocultava o rosto.
Após o almoço, saimos à procura do sol (até mesmo as ilhas, como as pessoas, sofrem de contrastes: ora aqui chove ora mais além ele brilha, poderoso). Pelo caminho serpenteante de verde, como que o céu se foi abrindo aos poucos; atravessada a cintura da ilha e chegados a Vila Franca do Campo, já todo ele era irremediavelmente azul.
As crianças pediram o Aquaparque - elas têm uma forma muita própria de sabedoria profunda, porque não filtram a alegria. Recebem-na de braços abertos.
No corpinho radiante e molhado da Inês, na alegria da aventura deslizante do André, no amor que quase não precisa de palavras da minha mulher, de novo encontrei mais uma fatia de felicidade, que é sempre esquiva, quase furtiva, como quem desce vertiginosamente por um escorrega molhado. Mas esse curto trajecto leva em si todo o nosso coração e tudo o que nós somos.



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